Catecismo de Trento e São Pio X
O Catecismo de São Pio X: a clareza que salva
Doce me bonitatem et disciplinam et scientiam
Pergunta e resposta, sem ambiguidade: por que o pequeno catecismo de São Pio X continua sendo o instrumento mais eficaz para formar um católico, da criança ao pai de família.
Fonte: Catecismo de São Pio X; Catecismo do Concílio de Trento, Proêmio
Quem é o cristão? O cristão é aquele homem que, recebido o santo Batismo, professa a lei e a fé de Jesus Cristo.
Em 1905, com a carta Acerbo nimis, São Pio X impôs a toda paróquia do mundo católico a obrigação da instrução catequética. Dois anos mais tarde deu à Igreja o texto que leva o seu nome: um livrinho de poucas dezenas de páginas, construído inteiramente sobre perguntas e respostas.
Nenhuma prosa de autor, nenhum período que peça interpretação. A sua força está exatamente aqui: uma pergunta precisa recebe uma resposta precisa, memorizável, repetível, verificável.
Por que a forma já é doutrina
O Catecismo do Concílio de Trento — o Catecismo Romano de 1566 — era destinado aos párocos: expõe a fé em tratados desenvolvidos, ordenados segundo o Credo, os Sacramentos, o Decálogo e a oração. O de São Pio X leva a mesma substância ao povo, e o faz com uma estrutura interrogativa que produz três efeitos precisos:
- Expõe a fé de modo completo, sem deixar zonas de sombra onde o erro se aninha.
- Torna impossível o deslizamento do sentido: uma resposta de duas linhas não se presta a reinterpretações.
- Fixa-se na memória, e o que está na memória fica disponível na hora da tentação.
O catecismo moderno, construído por narrativas e experiências, produz simpatia pelo cristianismo; o catecismo tridentino produz católicos que sabem o que creem e por quê.
A ordem das verdades
Basta percorrer o índice para reconhecer uma arquitetura. Primeiro o fim do homem, depois os meios; primeiro Deus, depois a criatura; primeiro a Cruz, depois a consolação. A primeira pergunta do Catecismo de São Pio X não trata dos sentimentos do crente, mas da sua identidade:
«Quem nos criou? Criou-nos Deus. — Por que Deus nos criou? Deus nos criou para conhecê-lo, amá-lo e servi-lo nesta vida e para depois gozá-lo eternamente no Paraíso.»
Em duas linhas: o primado de Deus, o fim último do homem, o caráter instrumental da vida presente. Quem possui esta resposta já tem em mãos o critério com que julgar toda proposta do mundo contemporâneo.
Os quatro lugares indispensáveis
Para o pai e a mãe que pretendem instruir os filhos, quatro seções devem ser possuídas de memória antes das outras:
- O Credo, artigo por artigo: a fé não é um sentimento, mas um conteúdo.
- Os Mandamentos, com o exame dos pecados contra cada um: a consciência forma-se sobre medidas objetivas, não sobre as próprias impressões.
- Os Sacramentos, em particular a matéria, a forma e as disposições exigidas: a vida de graça tem condições precisas.
- As realidades últimas: morte, juízo, inferno, paraíso. A sua omissão é a causa primeira da tepidez doméstica.
Um método doméstico, simples e severo
O catecismo não se lê: recita-se. O método que as famílias católicas praticaram por séculos exige dez minutos por dia:
- O pai faz a pergunta; o filho responde com as palavras exatas do texto.
- Cada semana acrescentam-se cinco perguntas novas e repetem-se todas as anteriores.
- Uma vez por mês, a explicação: o pai mostra onde aquela verdade toca a vida concreta da casa.
As palavras exatas não são pedantismo. São um presente aos filhos: quando forem adultos e a fé for contestada, não terão de improvisar uma resposta — já a terão, formulada com precisão por um Papa santo, garantida por vinte séculos de Magistério.
Nota bibliográfica
O Catecismo da doutrina cristã de São Pio X (1912) e o Catecismo do Concílio de Trento estão livremente disponíveis e são reimpressos em edições econômicas. Para a formação dos pais recomenda-se a leitura conjunta: o texto tridentino fornece as razões, o de São Pio X as fórmulas.